terça-feira, 26 de julho de 2011

TEXTO DE UMA TRADIÇÃO

Cada pessoa, em sua existência, pode ter duas atitudes: construir ou plantar. Os construtores podem demorar anos em suas tarefas, mas um dia terminam aquilo que estavam fazendo. Então param, e ficam limitados por suas próprias paredes. A vida perde o sentido quando a construção acaba.

Mas existem os que plantam. Estes às vezes sofrem com tempestades, as estações, e raramente descansam. Mas, ao contrário de um edifício, o jardim jamais pára de crescer. E, ao mesmo tempo em que exige a atenção do jardineiro, também permite que, para ele, a vida seja uma grande aventura.

Os jardineiros se reconhecerão entre si – porque sabem que na história de cada planta está o crescimento de toda a Terra.

Texto anônimo da Tradição da Lua, publicado em Brida - Paulo Coelho

domingo, 17 de julho de 2011

NADA É POR ACASO

Conta a história que uma senhora carregava dois baldes, cada um suspenso na extremidade de uma vara. Um deles estava rachado e o outro, perfeito. Este permanecia cheio de água ao fim da caminhada, enquanto o outro sempre chegava meio vazio.

Durante muito tempo a coisa seguiu assim: a mulher chegava em casa com somente um balde e meio de água. O balde “perfeito” se sentia muito orgulhoso, enquanto o balde rachado se envergonhava do problema.

Um dia, refletindo sobre a amarga derrota de ter um “defeito”, o balde falou à mulher: “tenho vergonha de mim, porque esta rachadura me faz perder metade da água”. Ela respondeu: “você reparou nas lindas flores que existem apenas do teu lado do caminho? Plantei sementes na beira da estrada, e todo dia você as regava. Colhi belíssimas espécies e, se você não fosse como é, eu não teria enfeitado minha casa!”

Todos têm um defeito, mas o defeito que cada um tem é que faz nossa convivência ser tão gratificante. É preciso aceitar cada um pelo que é e enxergar o que cada um tem de bom – mesmo quando parece ruim.

domingo, 10 de julho de 2011

SOU NETA DO DEUS DO MAR !

Sempre achei estranho o nome do meu avô materno: Possidônio!
E foi então que, no ano passado, lendo os livros da série Percy Jackson e os Olimpianos, descobri sua possível origem, imaginando a cena: uma escola, no interior do sertão nordestino, há mais de 100 anos atrás – meu avô morreu com quase 100 anos. A professora explicando sobre os deuses gregos, com aquele sotaque nordestino e uma menina sonhando no fundo da sala... Aí a professora deve ter falado sobre Poseidon, o deus dos mares, oceanos e terremotos, a menina não entendeu a pronúncia e abrasileirou o nome, pensando: quando eu tiver um filho, ele vai se chamar POSSIDÔNIO!
Está explicado então! Sou neta do “deus do mar”, por isso amo tanto ficar na praia, curtir um dia ensolarado dentro do mar e andar quilômetros na areia!

J U L H O

Julho recebeu esse nome graças a Júlio César, que reorganizou o antes caótico calendário romano, dando-lhe a forma do calendário juliano. Esse novo calendário foi implantado no ano 46 a.C., conhecido como o ano da confusão, depois do caos provocado pela troca de calendários. O calendário juliano tornou-se o mais usado no Ocidente nos 1600 anos seguintes. Foi substituído nos países católicos pelo calendário gregoriano no ano de 1582. A pedra de julho é o rubi.

terça-feira, 21 de junho de 2011

CONVERSA REAL PELO MSN

No final de 2007, tive a seguinte conversa pelo MSN, com uma amiga lá do Mato Grosso:

Ela: boa noite!
Eu: Boa noite!
Ela: E aí quais são as novidades?
Eu: Menina, arrumei um Negão!!!!
Ela: Sério? Ai, negão é tudo de bom, né?
Eu: Você nem imagina... Ele é tão carinhoso...
Ela: E sua mãe, aceitou?
Eu: No começo ela não gostou e até tentou expulsar ele de casa, mas aos poucos ele conquistou ela também e hoje quando chego do trabalho ele está sempre lá na casa dela me esperando!
Ela: Hum, que bom! Ele tem irmãos?
Eu: Ainda não consegui descobrir nada sobre a família dele, mas ele esquenta meus pés que é uma beleza à noite.
Amanhã vou mandar castrá-lo!
Ela: É, com homem tem que ser assim mesmo, segurar na rédea curta!
Eu: Homem??? O Negão é meu novo gato!
Ela: Sua FDP!!!

domingo, 12 de junho de 2011

TER OU NÃO TER NAMORADO: EIS A QUESTÃO!

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrimas, nuvem, quindim, brisa ou filosofia.

Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas namorado mesmo é difícil.

Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem quer se proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia, pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda, decidida ou bandoleira, basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.

Quem não tem namorado não é quem não tem um amor, é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes, mesmo assim pode não ter nenhum namorado.

Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade, ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar.

Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora em que passa o filme, de flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar, de gargalhadas quando fala junto e descobre a meia rasgada, de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.

Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, fazer ciesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira d’água, show de Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical do metrô.

Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não se chateia com o fato do seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar, quem gosta sem curtir, quem curte sem se aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia ao sol em plena praia cheia de rivais. Não tem namorado quem ama sem se dedicar, quem namora sem brincar, quem vive cheio de obrigações, quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.

Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e de medos, ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma lavada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passar debaixo de sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanterias.

Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido.

Carlos Drummond de Andrade

“Não inveje quem tem um namorado, pois ter um namorado é fácil, difícil é ter um grande amor...”



terça-feira, 7 de junho de 2011

PARSHVA E OS ANIMAIS

Certa vez, Parshva, um jovem príncipe, quando chegava com o seu cortejo de casamento à residência de sua noiva, viu um cercado abarrotado de animais, esperando para ser abatidos. Chocado com os gritos dos animais, o príncipe perguntou: “Por que esses animais estão sendo mantidos em tão cruéis condições?” Os seus ajudantes responderam: “Eles são para o banquete da festa de casamento.”

O jovem príncipe foi dominado pela compaixão. Ao chegar à sala de cerimônia de casamento, ele conversou com o pai da princesa. “Todos aqueles animais presos no cercado para serem abatidos para o banquete de casamento devem ser libertados imediata e incondicionalmente”, disse ele. “Por quê? Os animais existem para o prazer dos humanos. Os animais são nossos escravos e a nossa carne. Como pode haver um banquete sem a carne dos animais?”, perguntou o pai.

O príncipe Parshva não conseguia acreditar no que acabara de ouvir. Ele disse, alteando a voz: “Os animais têm alma, têm consciência, eles são nossos parentes, são nossos ancestrais. Eles desejam viver tanto quanto nós desejamos; eles têm sentimentos e emoções. Eles têm amor e paixão; temem a morte tanto quanto nós a tememos. O instinto de vida deles não é menor que o nosso. O direito deles de viver é tão fundamental quanto o nosso. Não posso casar, não posso amar e não posso fruir a vida enquanto os animais são escravizados e mortos”. Sem mais discussão, ele desfez os planos para o seu casamento. Ele rejeitou inclusive a vida confortável de um príncipe e, respondendo a um chamado interior, saiu pelo mundo para despertar as massas adormecidas que haviam sido condicionadas a matar animais. Ele foi o líder do movimento de compaixão pelos animais.

Segundo conta a história, o reino animal acolheu bem Parshva como o profeta dos fracos e da natureza. Eles se reuniram em torno dele, em resposta aos seus apelos por bondade. Os pássaros pousaram nas árvores por perto; os peixes chegaram até a beira do lago onde Parshva meditava. Elefantes, leões, raposas, coelhos, ratos, insetos e formigas lhe prestaram tributo. Um dia, ao ver Parshva encharcado pela chuva pesada de monção, o rei das serpentes ergueu-se sobre a cauda, criando um chapéu com a sua enorme cabeça.

Milhares e milhares de pessoas nas aldeias, vilarejos e cidades comoveram-se com os ensinamentos de Parshva. Elas renunciaram à carne e assumiram a tarefa de cuidar do bem estar dos animais.

J U N H O

O nome do mês de junho deriva da grande Deusa Mãe dos romanos, Juno, a Hera grega. Como Juno é a guardiã divina do sexo feminino, o mês de junho é muito favorável para casamentos. Em 21 de junho ou nas proximidades dessa data é o solstício de inverno, Yule, para quem segue a Roda do Hemisfério Sul. A pedra natal de junho é a ágata.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

CELULAR - MELHOR DO QUE NOVELA ! ! !

Domingo eu estava esperando o ônibus passar, tranquila e feliz sentada no ponto de ônibus, quando vi duas garotas se aproximando, uma delas falando no celular. Ela estava discutindo com o pai, em poucos minutos fiquei sabendo de detalhes da vida dela que nem a amiga que estava ao lado sabia. E o pior era que tanto eu quanto a amiga dela não sabíamos para onde olhar! A conversa durou mais de vinte minutos! Sinto informar que já presenciei casos piores. Uma vez estava indo para a Praia Grande e um rapaz ficou a viagem toda falando no celular! Saí do ônibus sabendo da vida profissional, afetiva, social e psicológica dele. É nesses momentos que tenho vontade de ter aquele aparelhinho que vende nos EUA que interrompe a frequência dos telefones... Por que, convenhamos, ninguém merece ouvir conversas de estranhos! Costumo brincar com minha mãe dizendo, quando vejo alguém no celular: vamos ver que novela é essa?

sexta-feira, 6 de maio de 2011

MAIO

Maio, o mês dos casamentos, tem esse nome graças à deusa Maia, uma das Sete Irmãs Gregas (As Plêiades) e mãe de Hermes. Segundo a lenda, o próprio Hermes deu a esse mês o nome da mãe, Maia Majestas, deusa da primavera. Maio é o mês tradicional das festas e dos jogos de amor. O Dia de Maio é um dos mais importantes do ano. Ele recebe muitos nomes diferentes, um deles é La Beltaine. O nome Beltaine contém o elemento taine, que significa “fogo”. O primeiro elemento refere-se à divindade solar chamada de Beli, Belinus e Balder. Um dos nomes tradicionais das fogueiras da véspera do Dia de Maio é “fogueiras de Balder”. Beltaine é a sexta estação do ano, da união mística. Por tradição, maio é o mês do surgimento da Deusa Mãe na Terra, seja na forma das Deusas da Wicca, da Mãe Maria e de várias deusas de outras religiões. Ela também é a representante do arquétipo da Mãe. A esmeralda é a pedra natal de maio.
Almanaque Wicca 2011

quinta-feira, 5 de maio de 2011

WARNING - Jenny Joseph

"Quando eu for velha vou me vestir de roxo
Com um chapéu vermelho que não combina e não me deixa bem,
Quero gastar minha aposentadoria em conhaque, luvas de seda
E sandálias de cetim e dizer que não temos o dinheiro da manteiga.

Sentar-me no chão quando estiver cansada
Devorar amostras nas lojas e apertar botões de alarme
E raspar minha bengala pelos gradis das ruas
Para compensar a sobriedade da minha juventude.
Sairei de chinelos na chuva
Colherei flores em jardins alheios
E aprenderei a escarrar.

Poder usar blusas medonhas e deixar-me engordar
E comer dois quilos de linguiça de uma só vez
Ou apenas pão e picles por uma semana
E estocar canetas e lápis e bolachas de chope e coisas em caixas.

Mas por hora devemos ter roupas que nos mantenham secas
Pagar nosso aluguel e não xingar pelas ruas
Dando bom exemplo para as crianças.
Temos de convidar amigos para o jantar e ler os jornais.
Mas e se eu pudesse ir praticando um pouco agorinha mesmo?
Para que quem me conhece não fique chocado ou surpreso
Quando eu de repente for velha e passar a usar roxo."

domingo, 17 de abril de 2011

Cada um que passa em nossa vida passa sozinho, pois cada pessoa é única, e nenhuma substitui outra. Cada um que passa em nossa vida passa sozinho, mas não vai só, nem nos deixa só. Leva um pouco de nós mesmos, deixa um pouco de si mesmo.

Há os que levam muito; mas há os que não levam nada. Há os que deixam muito; mas há os que não deixam nada. Essa é a maior responsabilidade de nossa vida e a prova evidente de que duas almas não se encontram por acaso.

Antoine de Saint-Exupéry

sexta-feira, 8 de abril de 2011

JOHNNY E A LEBRE

Johnny estava fora, caminhando num belo dia, quando espiou uma lebre sob um arbusto. Ele pensou: “Que sorte! Aqui estou eu e vou pegar essa lebre, a seguir vou vendê-la. Com esse dinheiro, calculo que posso comprar uma porca jovem; vou alimentá-la de restos e ela vai me dar doze leitões. Os leitões, quando crescerem, terão doze leitões cada um. E quando estes estiverem crescidos, terei um celeiro de carne de porco. Eu venderei a carne de porco e vou comprar uma casinha para minha mãe morar. A seguir, eu mesmo posso mesmo me casar. Eu casarei com a filha do fazendeiro. Nós teremos dois filhos e eu os farei trabalhar duro e pagarei pouco. Eles dormirão demais de manhã e eu terei que gritar com eles para que se ponham de pé. ‘Levantem, seus vagabundos preguiçosos! ’, eu direi. ‘As vacas precisam ser ordenhadas’.” Johnny gostou de tal maneira dessas grandes idéias que ele realmente gritou: “Levantem, seus vagabundos preguiçosos!” E a lebre que estava sentada sob o arbusto se assustou com o barulho que Johnny estava fazendo e saiu correndo através do campo e Johnny nunca conseguiu pegá-la; e seu dinheiro, porcos, casa, esposa, fazenda e os filhos foram perdidos, tudo por causa disso.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

ABRIL

O nome do mês de abril deriva da deusa grega Afrodite (a Vênus romana). De acordo com Ovídio, esse é o mês consagrado às artes. Abril também é a estação da abertura, o mês em que a Terra se abre para receber a semente (no hemisfério Norte), as folhas crescem e as flores desabrocham. O nome anglo-saxão de Abril é Eastermonath, o mês da deusa Eostre, cujo nome é a origem da palavra Easter (Páscoa em inglês). Ela também pode ser vista como um aspecto de Afrodite. O costume de se pregar peças no dia 1º de abril é a tradição do bobo da corte. Em todas as sociedades estáveis, para que as coisas não se tornassem muito rígidas, havia períodos em que as regras podiam ser quebradas. A pedra natal de abril é o diamante.

Fonte: Almanaque Wicca 2011

quinta-feira, 31 de março de 2011

O QUEBRA-CABEÇAS

Texto de Amy Toohill, tradução de Sérgio Barros.



Ganhei de um amigo, há dois meses, um quebra-cabeça de 1.500 peças.

Eu não montava um quebra-cabeça desde que era criança.

É engraçado como nós deixamos de fazer certas coisas quando crescemos:

Quebra-cabeças, colorir, brincar com bonecas, pular corda, pique de esconder...

Coisas que nos trouxeram tanta alegria quando criança, nós paramos de fazer quando alcançamos uma certa idade – é uma vergonha, não é?

Devo admitir: eu realmente aproveitei o quebra-cabeças. Embora muito frustrante às vezes, era um bom desafio. Cada vez que eu achava uma peça que se encaixava, era extremamente recompensador. Bom, e daí?

Você já percebeu quantas semelhanças existem entre um quebra-cabeças e a vida?

Num quebra-cabeças, cada peça é parte muito importante no grande quadro.

Na vida, são as pessoas e os acontecimentos as partes importantes. Como peças de um quebra-cabeças, cada um de nós é único, especial em seu próprio jeito.

Embora semelhantes, não há dois iguais.

Ironicamente, são nossas diferenças que nos fazem “encaixar”.

Enquanto eu trabalhava no quebra-cabeças, havia uma peça que eu estava certa de pertencer a um ponto em particular. Mas não encaixava.

Acabava voltando a ela tentando encaixá-la, me esquecendo que já havia tentado. Eu tinha meu pensamento focado no fato de que eu sentia que a peça era daquele espaço.

Penso em quantas vezes eu fiz a mesma coisa em minha vida.

Tentando fazer acontecer coisas que simplesmente não era para ser.

Tentava várias vezes, chegava ao ponto de forçar, mas não era para ser... e nada do que eu fiz mudou isso.

Se você já montou quebra-cabeças, sabe como é perder tempo procurando um pedaço específico.

De repente parece tão óbvio... mas eu não conseguia achar. Consegui foi embaralhar ainda mais as peças. Fiquei frustrada e decidi deixar pra lá e ficar longe dele.

Quando voltei, mais tarde, achei a peça imediatamente. Estava bem na minha frente desde o começo.

Minha vida foi assim muitas vezes.

Tentava entender porque certas coisas aconteciam e do jeito que aconteciam.

Procurava a resposta por todos os lados e às vezes as respostas estavam bem na minha frente.

Era só dar uma paradinha, um pequeno passo atrás, respirar e acalmar que as respostas me encontravam.

Olhando as peças deste quebra-cabeças, eu penso nas “peças” de minha vida: minha família, meus amigos, acontecimentos, marcos e celebrações.

Uma mistura de bom e ruim, alegria e lágrima, felicidade e tristeza.

Penso em todas as peças que imaginei sem importância e sem propósito.

Reflito em todas as peças que em minha vida me fizeram perguntar: “Por que meu Deus?” “Por que isto?”

E repentinamente percebi que por causa dessas peças, outras peças se encaixaram tão bem.

Tudo em nossa vida acontece por uma razão. Cada acontecimento, bom ou mau, como uma peça do quebra-cabeças.

Deixe uma peça de fora e se quebra a harmonia inteira do produto final.

Talvez ainda não possamos entender o papel importante de cada peça em nossa vida, ainda existem muitos buracos e o quadro ainda não está claro.

Mas sei que quando minha viagem nesta vida estiver concluída, e a peça final estiver em seu lugar, eu entenderei.

E serei capaz de ver o quadro completo e a beleza de cada peça.

Até lá, eu continuarei a viver com fé. Sabendo e confiando que todas as peças que eu preciso estão aí e que é só uma questão de tempo até que se encaixem bem.

Lembrarei de que há um grande quadro, um plano para mim, e que sou incapaz de ver agora.

Acreditarei que cada peça em minha vida, mesmo as dolorosas, têm propósito e cumprem papel importante.

E quando estiver fraca, procurarei força pela oração.

Farei isto até que a obra-prima de Deus em mim estiver finalmente completa, e Ele então cochichará:

“Muito bem, está feito!”

Texto de Amy Toohill, tradução de Sérgio Barros.